A trapalhada de Donald Trump na Síria

<!– /* Font Definitions */ @font-face {fontfamily:”Cambria Math“; panose-1:0 0 0 0 0 0 0 0 0 0; msofontcharset:1; msogenericfontfamily:roman; msofontformat:other; msofontpitch:variable; msofontsignature:0 0 0 0 0 0;} @font-face {fontfamily:Calibri; panose-1:2 15 5 2 2 2 4 3 2 4; msofontcharset:0; msogenericfontfamily:auto; msofontpitch:variable; msofontsignature:-536870145 1073786111 1 0 415 0;} /* Style Definitions */ p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal {msostyleunhide:no; msostyleqformat:yes; msostyleparent:””; margin:0cm; marginbottom:.0001pt; msopagination:widoworphan; fontsize:12.0pt; fontfamily:Calibri; msoasciifontfamily:Calibri; msoasciithemefont:minorlatin; msofareastfontfamily:Calibri; msofareastthemefont:minorlatin; msohansifontfamily:Calibri; msohansithemefont:minorlatin; msobidifontfamily:”Times New Roman“; msobidithemefont:minorbidi; msofareastlanguage:EN-US;} .MsoChpDefault {msostyletype:exportonly; msodefaultprops:yes; fontfamily:Calibri; msoasciifontfamily:Calibri; msoasciithemefont:minorlatin; msofareastfontfamily:Calibri; msofareastthemefont:minorlatin; msohansifontfamily:Calibri; msohansithemefont:minorlatin; msobidifontfamily:”Times New Roman“; msobidithemefont:minorbidi; msofareastlanguage:EN-US;} @page WordSection1 {size:595.0pt 842.0pt; margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; msoheadermargin:35.4pt; msofootermargin:35.4pt; msopapersource:0;} div.WordSection1 {page:WordSection1;}

–>

Comecei a escrever este texto já o sol estava a nascer em Rojava (Curdistão Ocidental), na Síria. Poucas horas antes, o Ministro da Defesa da Turquia assumira que os preparativos para uma ofensiva militar no norte da Síria estavam concluídos, deixando entender que só faltava as tropas iniciarem a marcha. No domingo, 6 de Outubro, depois de uma conversa telefónica entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, um comunicado da Casa Branca dava conta da decisão de Trump relativamente à situação no norte da Síria: a Turquia vai avançar em breve com uma operação há muito planeada e os Estados Unidos não querem estar envolvidos na operação. Ou seja, o assunto não diz respeito aos Estados Unidos, matem-se uns aos outros, se quiserem. De uma forma simples, é isto que está escrito nos dois parágrafos do comunicado e traduz bem a dimensão de homem de Estado que Donald Trump não se cansa de transmitir. Foi aqui que interrompi a escrita. Depois de ler a torrente de informação que estava a chegar de Washington, resolvi fazer uma pausa, não fosse Donald Trump decidir outra coisa diferente antes de vestir o pijama. Um homem com o Twitter sempre à mão, nunca se sabe, e eu arriscava-me a acordar com este texto já desactualizado.
Agora, no dia seguinte à tarde, ao reler as minhas notas e a nova informação que não para de chegar, dou por certa a decisão de interromper a escrita: a confusão é grande e já ninguém percebe o que Trump pretende, o que decidiu, ou o objectivo que pretende atingir.
Na foto acima podemos ver a decisão inicial. Depois, Trump veio dizer que se algum militar norte-americano ficasse ferido (durante a ofensiva turca) os Estados Unidos destruiriam a economia turca; a seguir disse que a decisão tomada, e vertida no comunicado, não era uma luz verde para a ofensiva turca; depois, a Casa Branca anunciou que não seria uma retirada mas apenas um reposicionamento das forças norte-americanas no norte da Síria; depois, a Casa Branca acrescentou que seria o reposicionamento de um pequeno número de militares, consoante a fonte (entre 50 a 100 militares das forças especiais, ou menos de 25); internamente, Republicanos e Democratas criticaram a decisão de Trump, alertando para o perigo de beneficiar o Governo sírio de Bashar Al Assad, a Rússia e o Irão; Trump disse ainda que (com cerca de mil militares norte-americanos na Síria) os Estados Unidos não querem estar na linha de fogo, mas estarão a policiar a situação; finalmente veio dizer que nunca abandonará os curdos, “um povo especial com combatentes fantásticos”. Se isto não é de loucos então não sei o que será.
Durante estas declarações, ora na Casa Branca, ora através do Twitter, ora através de um porta-voz ou de um comunicado de imprensa, Donald Trump sublinhou outro aspecto que mostra como o presidente norte-americano confunde o que não pode ser confundido. Aliás, já tinha feito algo semelhante aquando da morte do assassinato do jornalista saudita Jamal Khaskoggi e das suspeitas que imediatamente recaíram sobre a Arábia Saudita. Dessa vez, logo a seguir, Trump veio lembrar a importância do acordo para a venda de 110 mil milhões de dólares em armamento à Arábia Saudita; desta vez (está no Twitter) veio lembrar que a Turquia é um importante parceiro comercial e também um parceiro que construiu a estrutura do avião caça norte-americano F-35, para além de ser um aliado NATO. Trump devia ter acrescentado que tem duas “Trump Tower” em Istambul e que Erdogan foi convidado para o lançamento do projecto.
É neste contexto que os curdos da Síria podem, mais uma vez, ser traídos por supostos amigos e aliados. Não será a primeira vez que isso acontece aos curdos e também não será a primeira vez que os Estados Unidos o fazem. Ao contrário da máxima entre gente de bem que obriga a que ninguém seja deixado para trás, Donald Trump parece não ter pudores. Ainda por cima os curdos da Síria têm uns tiques de socialismo, o que para o Presidente dos Estados Unidos deve ser assim uma espécie de lepra.
Perguntarão, e a União Europeia? Pois, a Europa, muito antes de ser União, encarregou-se de fazer a asneira com os resultados que estão à vista: o acordo Sykes-Picot (Reino Unido-França), após a I Guerra Mundial, deixou os curdos sem um Estado e divididos por quatro países. Quem isto fez e nada faz agora para resolver o problema, está à espera de quê? Quem são, de facto, os terroristas? Aqueles que assinam os documentos criminosos ou os que pegam em armas para defender aquilo a que têm direito?
Pinhal Novo, 8 de Outubro de 2019
josé manuel rosendo

One thought on “A trapalhada de Donald Trump na Síria

Deixe uma Resposta

Please log in using one of these methods to post your comment:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s