
Não é novidade. Com demasiada frequência, Israel manipula a informação para justificar ataques e mortes. Há sempre uma tentativa de associar as vítimas dos ataques ao que Israel designa por “terrorismo”. Em muitos casos essas vítimas farão parte de organizações como o Hamas ou o Hezbollah, mas em muitos outros casos isso é simplesmente falso.
A Associação de Imprensa Estrangeira de Jerusalém, que representa jornalistas que fazem a cobertura de Israel, Cisjordânia e Faixa de Gaza, acusa o exército israelita de ter tentado descredibilizar um jornalista libanês, Ali Shouaib, assassinado em Março, publicando uma imagem falsa, gerada por inteligência artificial, na qual o jornalista surgia vestido com um uniforme do Hezbollah.
Ali Shouaib, jornalista da Al Manar, canal de televisão do Hezbollah, foi assassinado juntamente com outros dois jornalistas libaneses, num ataque israelita ao carro em que viajavam na região de Jezzine, no sul do Líbano.
Israel, sem fornecer qualquer prova, justificou a morte do jornalista qualificando-o de terrorista da unidade de informação da Força Al Radwan, a unidade de élite do Hezbollah, dizendo que Ali Shouaib utilizava o disfarçe de jornalista mas trabalhava para o terrorismo. Em simultâneo, o exército israelita publicou na rede X uma imagem de Ali Shouabi dividida a meio, com uma metada em que o jornalista tem o colete “Press” e a outra metade, numa versão modificada artificalmente, com o mesmo jornalista vestindo um uniforme do Hezbollah. Na legenda podia ler-se: “o colete de imprensa não é mais do que uma cobertura para o terrorismo”.
Posteriormente, o porta-voz internacional do exército, admitiu na rede X que a imagem tinha sido “editada” e divulgou uma outra, desfocada, alegadamente uma foto de Ali Shouaib “vestindo um uniforme do Hezbollah”.
A Associação de Imprensa Estrangeira de Jerusalém, lembra que “embora o exército tenha esclarecido a situação em relação à primeira imagem, esta nunca deveria ter sido divulgada”, dado que é “falsa”.
A Agência France Press lembra que, desde 2023, o Comité para a Protecção de Jornalistas registou pelo menos 11 jornalistas e profissionais dos media mortos por Israel.
