
Para quem ainda pensa e defende que a guerra na Faixa de Gaza deve continuar, sabe-se lá para quê e até quando, talvez seja bom ter em conta o apelo de destacados israelitas que já tiveram as mais altas responsabilidades militares e de segurança.
Um apelo, em forma de carta enviada a Donald Trump, juntamente com um vídeo em que o antigo director da Mossad, Tamir Pardo, faz também uma denúncia e uma confissão: “Estamos a esconder-nos atrás de uma mentira que nós próprios criámos. Essa mentira foi vendida ao público israelita, e o mundo há muito que compreendeu que não reflete a realidade.”
A carta, é assinada por três antigos líderes da Mossad, cinco antigos dirigentes do Shin Bet e três ex-chefes do Estado Maior. Foi enviada ao presidente norte-americano apelando a que exerça pressão sobre Netanyahu de modo a acabar com a guerra na Faixa de Gaza.
Estes homens fazem parte do “Comandantes pela Segurança de Israel” (CSI), um grupo que junta antigos espiões, militares, polícias e diplomatas, e constituem um grupo de 550 signatários de uma carta enviada ao presidente norte-americano para tentar acabar com a guerra em Gaza: “Em nome do CSI, o maior grupo de antigos generais do exército israelita, da Mossad, do Shin Bet, da polícia e de corpos diplomáticos equivalentes, exortamo-lo a pôr fim à guerra em Gaza. Já fez isso no Líbano. É tempo de o fazer também em Gaza.”
Hamas já não é ameaça
Ami Ayalon, antigo director do Shin Bet, diz no já referido vídeo que têm o dever de erguer a voz, porque a “guerra começou como uma guerra justa, uma guerra defensiva. Mas, uma vez alcançados todos os seus objectivos militares e alcançada uma brilhante vitória militar contra todos os nossos inimigos, deixou de ser uma guerra justa. Está a conduzir o Estado de Israel à perda da sua segurança e identidade.” Há apenas um objetivo por conseguir: “O terceiro e mais importante (objetivo) só pode ser alcançado através de um acordo: trazer todos os reféns para casa.”
Na carta, o apelo feito a Donald Trump é fundamentado: “Acreditamos, enquanto profissionais, que o Hamas já não representa uma ameaça estratégica para Israel, e a nossa experiência diz-nos que Israel tem tudo o que precisa para gerir as suas capacidades terroristas residuais, remotamente ou não” (…) “Rastrear as restantes figuras importantes do Hamas pode ser feito mais tarde”, mas “os reféns não podem esperar”.
Tamir Pardo (ex-Mossad) admite no vídeo que “Estamos à beira da derrota”, e alerta sobre as condições humanitárias em Gaza: “O que o mundo está a testemunhar hoje é o que fizemos.”
Sobre o rumo da política israelita e a recusa em chegar a um acordo com o Hamas que permita o regresso dos reféns, Yoram Cohen aponta uma explicação: “Temos um governo que os fanáticos messiânicos levaram numa direção irracional” (…) “São uma minoria (…) mas o problema é que a minoria controla a política.”
Esta carta e este apelo é a prova de que até em Israel começa a ganhar força a noção da tragédia que o governo de Netanyahu está a provocar em Gaza e começa também a ganhar expressão – da parte de quem tem mais informação e sensibilidade política – para o preço que Israel poderá pagar, em termos internacionais, num futuro próximo. Só mesmo os fanáticos messiânicos como o ministro Ben Gvir – que ainda ontem encenou mais uma provocação na Esplanada das Mesquitas, tornando-se o primeiro ministro a rezar frente à Mesquita de Al-Aqsa – ou os que bebem acriticamente a propaganda que o governo de Netanyahu, recusam ver o que está a acontecer, rebuscando argumentos e catalogando de antissemita todos os que levantam a voz contra a carnificina e a fome na Faixa de Gaza. Talvez agora encontrem uma oportunidade para rever esse posicionamento do qual um dia ainda vão sentir vergonha.
Pinhal Novo, 4 de Agosto de 2025
18h00
jmr

com Hezbollah, Houthis e milícias pró-Irão. Também ignora que esta ameaça se estende a toda a Europa e a toda civilização ocidental. As organizações e partidos de esquerda no Ocidente, na maior parte das vezes instrumentalizados pelo islão, amplificam estas narrativas sob a capa de “paz” e “direitos humanos”. Acabar a guerra sem neutralizar totalmente o Hamas não irá trazer a paz mas apenas garantir a próxima guerra.
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